domingo, 1 de fevereiro de 2009

A união faz a gota


Na imensidão de um tempestuoso oceano, o mundo é uma singela gota. Quem dera fosse – talvez realmente seja – de um lago de águas calmas, em que a vista não se perdesse no horizonte. Mas ainda assim a diferença entre as dimensões conservar-se-ia absurda.

E o que esta gota-mundo espera de nós? Que salvemos o dia, meus caros. Sim, pois ele precisa ser salvo! A gota tem de se manter íntegra. Já o que nós esperamos do mundo, pela coragem, ainda que o salvamento não ocorra com êxito, se resume – ao menos espero poder resumir – em reconhecimento. Ou qualquer outra coisa, aliás, que não envolva salvar nossas próprias vidas. Afinal, o que pode uma ou outra bilionésima parte de gota perante a gota inteira?

Acontece, meus caros, que uma minúscula, medíocre, vil e insignificante parte de gota pode, por vezes, ver-se diante de um dilema. Pode perguntar-se, na véspera da ação, se realmente lhe é útil e necessário salvar o dia. E então, há apenas dois caminhos possíveis: o do engajamento ou o da indiferença. A escolha depende, dentre outros fatores, da resistência de cada parte de gota. E a gota inteira, após a deliberação de uma de suas desprezíveis partes, pode nunca mais ser a mesma.

5 comentários:

Lucas Moratelli disse...

É difícil ver-se parte de essa grande engrenagem.

Como você se permite filosofar nos seus comentários em meu blog, coisa que eu gosto muito, vou seguir a mesma linha.

Não sei se o seu intuito era fazer-se metáfora para o mundo individual que cada ser humano ostenta.
Prefiro ver a gota como a sociedade e o pequeno fragmento como os indivíduos que a compõe. Sem ação, mesmo que negativas, desses indivíduos a sociedade não avança ou regride. E se avança ou regride mesmo sem a ação de alguns elementos do conjunto, talvez não os faça como teria feito com a participação de todos. E vou além, apenas um ser humano é capaz sim (!) de fazer a diferença. O que seria das revoluções sem a ação inicial de um ser humano.

Gostei muito do texto, fez pensar.

Um abraço Vinícius.

Jamile Gonçalves disse...

É incrível como somos tanto e tão pouco... Para cada um de nós, somos o próprio universo. Mas quando nos deparamos frente a extensão da vida, nos damos conta do [nada] que representamos individualmente...

Léo disse...

vc foi um dos meus indicados ao selo "olha que blog maneiro". Agora basta vc repassar a imagem e as regras (http://leozukinho18.blogspot.com/) e vc vai receber o selo!

parabéns pelo blog!
abraços

Suellen Nara disse...

"A escolha depende, dentre outros fatores, da resistência de cada parte da gota."
Isso me fez lembrar de uma frase:
"Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."

A gota está em constante desenvolvimento. Alguém lá do outro lado do mundo pode estar sendo prejudicado por nossas ações.
O que é bom pra mim, pode não ser bom para o vizinho e vice versa.
Ao meu ver, o mundo não precisa de pessoas equilibradas ou desequilibradas.

A gota precisa de um Equilibrio Bambo. Hehehe!

Não sei se viajei, mas foi o que pensei.

Valeu ;)

Astréia e Narciso disse...

Intrigante a correlaçao entre A gota-mundo e a parcela de gota-eu-tu-nòs. O mundo, às vezes, parece grande, mas ao final das contas, é, paradoxalmente, uma goticula na imensidao do Universo que nem sabemos até onde vai ou se realmente vai ou se està voltando.

E aì entra em questao esta parcela de gota-mundo que somos nòs. O que podemos fazer nesta imensidao de coisas sem tantas explicaçoes cabiveis? Seguir indiferente ou agir para "salvar o dia".

Ainda me ficou a questao. O que posso fazer para salvar o dia? Este "salvar o dia" é algo subjetivo (primeiramente obra do autor, algo que ele sente e quis partilhar e depois em relaçao a cada um de nòs) ou é capaz de ir além de nossas convicçoes, tantas vezes, distorcidas da realidade?

Parabéns pela postagem e desculpe minhas elocubraçoes acerca da mesma! Tchau!

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